
Trago-vos um presépio pouco convencional. Sim, o gatafunho é meu e, quem olha para ele, não diz que é um presépio. Mas é um presépio sim senhor, e é a minha prenda de Natal para vós.
Antes de mais, os figurinos. Nada de véus, cajados ou cordas cingindo os rins. Nada do habitual. E porque haveria de assim ser? Ao longo dos séculos os pintores sempre vestiram as imagens à moda corrente. Eu, por meu turno, permiti-me vestir esta Sagrada Família de modo a que passem despercebidos no início do Séc XXI. Nada de novo, afinal.
Depois, a disposição dos elementos. O que é feito do Menino ao centro, deitado na manjedoura com José e Maria ajoelhados, mãos erguidas ao céu, em adoração?
Bem, pensemos um pouco e sejamos razoáveis. Como terá sido aquela noite? Uma sarilho, claro! Perdidos num ermo, sozinhos numa gruta nos arredores de Belém, Maria em trabalho de parto e José a acudir-lhe conforme podia. Os homens têm fama de ser umas baratas tontas nestas alturas e provavelmente José não foi excepção, para mais sendo este à data "um assunto de mulheres" de onde os homens ficavam arredados. Se não causasse aflição, teria sido uma comédia ver o pobre e nervoso José nessa noite. Mas lá que se desenvecilhou, isso é certo.
Maria, já sabemos, não era uma mulher qualquer. Tomando como premissa a Imaculada Conceição, já sabemos que era criatura abençoada e digna de uns milagres. Contudo, não consta que o tempo de gravidez tenha sido fácil ou que haja sido presenteada com o parto sem dor e sem sofrimento. É de esperar, pois, que Maria tenha chegado ao fim do episódio dorida, exausta e a precisar de longo e merecido repouso.
Logo, é razoável esperar ver Maria logo de joelhos no chão e tronco ao alto guardando o Menino? Deixem-na descansar, por favor!
Ninguém me tira da ideia que essa longa noite foi de vigília, sim, mas para José, tomando conta de Maria e do filho. E, caso estejam já a corrigir-me o episódio alertando que Jesus não é filho de José, eu de plena convicção vos afirmo que pai é, também*, aquele que ama e que cuida.
Um Feliz Natal para vós, de todo o coração.
(*: "principalmente", apetece-me dizer)
40 comentários:
Primeiro, OBRIGADA pelo lindo Presépio! E quem disse que não parece um Presépio? És muito modesto...
Como era de esperar, está uma delícia na sua adaptação á realidade que é o séc. XXI.
Relativamente ao José, penso não haver dúvida de que o pobre devia ter passado um mau bocado. É que homens "atarantados" sempre houve, é genético!
Agora, muito a sério, Gatito, concordo inteiramente contigo quando afirmas: "... eu de plena convicção vos afirmo que pai é, também*, aquele que ama e que cuida." É isso mesmo, e em muitos casos, muito mais do que muitos pais biológicos.
Um Feliz Natal também para ti.
Beijinho.
E considerando que os anjos só ficaram cantando, os reis magos só chegaram bem depois e que vacas e burros não podem ajudar em nada, José deve ter sido pai, parteiro, faxineiro, camareiro... Um homem prá lá do sec. XXI! :)
Gostei do seu presépio!
beijinhos
Oi! Posso "roubar" o Presépio para colocar junto à árvore?
Agradecida.:)
@A Senhora:
Homem sofre. É só ver as olheiras e o arzinho assustado do José lá no presépio e não há como não concordar. :)
R.
@TERESA SANTOS:
Mas esta mulher agora quer tudo?!?
É árvore, é embrulho, é boneca, agora é o presépio...
Vá, leve lá o presépio, mas as camisas estão a acumular-se na cesta de roupa...
;)
R.
Olá Amigo
Hoje levei a tarde toda a pôr um pouco em ordem a blogosfera no que me diz respeito. O que toma muito tempo so em visitas e alguns comentarios. Mas cá estou :)
Sabes, começaria por dizer que concordo inteiramente com o teu "principalmente", e, depois, que o teu desenho, tal como o do abraço que percorreu a web ;) está muitíssimo bem.
É como dizes: o Natal é isto: o Natal de hoje, simbolizado na família. Não numa adoração ou casa dourada, ou incenso, ou num Menino limpinho todo bonito com reis a adorá-lo e os pais em gesto de adoração, mas quiçá um casal com seu filho na rua, ou na sua casa que é a perfeita gruta de Belém, passando dificuldades com salários mínimos, com despesas, desemprego, etc.
Nesse sentido apanhaste no desenho muitíssimo bem o espírito do Natal, e o Presépio é esse, sim senhor. Acertaste em cheio. O Presépio é esse.
Claro que, tal como tens a liberdade criativa de o desenhar assim, despojado e simples (e mais realista), também ao longo do séculos os mais diversos artistas pintaram e desenharam e conceberam o Presépio a partir da Sua realidade (o estábulo, o pai e a mãe) mas porque Deus feito Homem, Deus-Menino, obviamente o pintaram rodeado de mimos, como anjos, pastores, bonitinho, limpinho, suave, doce, sem birras e ate com presentes mais tarde dos reis magos. Mas isso acontece hoje com os anúncios em que tudo é perfeito e até as pessoas são maquilhadas para aparecer na televisão e as fotos de revista são trabalhadas ao pormenor. Enfim, percebe-se o encanto que se tenta transmitir no meio da fealdade do mundo.
Mas gostei muito do texto e sobretudo do desenho.
Obrigado pelas palavras e pela lembrança no desenho :) sabes que eu já tinha visto e modestamente pensei que nao sabia até que ponto o tinhas feito com uma pontinha de pensamento no meu blogue? ;) Acertei.
Obrigado pela prenda, amigo. A minha é apenas a amizade, mas acredita que sincera e oblativa.
Quanto a ti... continua grande :) Mas ousa mais :) E que o Natal seja, como digo lá no estaminé, vivido de dentro para fora, coisa que tenho a ceteza que sim, porque somos seres relacionais e nao nos realizamos sozinhos.
Um enooooorme abraço, Rui e muito obrigado :)
@Daniel:
Amizade não poderia ser melhor prenda! ;)
Neste teu comentário foste desfiando muitas ideias que deixei nas entrelinhas. Gostei muito. Eu bem sei que tenho leitores neste blog capazes de captar o sumo das coisas. :)
Só não percebi quem é esse tal de Rui... ;)
R.
Pois, pois, Lobinho, quem é o Rui? E, já agora, já viste a minha árvora da autoria de?... Isso mesmo, do nosso Amigo Gato.
E isso, menino Gato, de dizer que quero tudo, deixou-me tristinha...;)
E vivam as camisas por engomar!
@TERESA SANTOS:
Pois pois, as pessoas tristinhas colocam um smiley destes no fim... ;)
R.
Maria, que coisa mais providencial!
O sono dos justos!!!
Amazing!
@Amèlie:
Merecidíssimo!
:)
R.
Deixei lá agora o comentário, Teresa. Foi uma óptima ideia e, (nada que me admirasse), obviamente correspondida e BEM. O Rui deve ter-me saído num daqueles erros de simpatia por supor ser essa a inicial. Tamnbém não vamos psicanalisar isso ;)
Resposta também para ti, Amigo R. E obrigado pela resposta :)
@Daniel Silva:
Ora essa. :)
R.
*** FELIZ NATAL ***!
FELIZ NATAL, Gatito!
Que 2010 seja muito "teu amigo", em todas as coisas importantes da tua vida.
Sê feliz, Gatito, no teu castelo!
Abraço, Amigo, e desculpa as exigências!:)
Para que conste, cá vai o Presépio...
Espreita o meu blog.
Abraço.
@TERESA SANTOS:
Feliz Natal para ti também. :)
Lá irei ao blog, sim. :)
R.
Gostei do desenho!
Posso levar para lhe fazer umas maldades, posso?
Depois eu mostro:P
Feliz coiso.
;)
@Jane Doe:
O presépio é uma prenda para todos os que passam aqui n'O Gato do Castelo.
Obviamente que se é prenda, é para levar. Mas a prenda que se gosta não se faz maldades feias. Para mais porque, quem ofereceu, tem um imenso carinho neste desenho.
Leva e depois vem mostrar a tua versão. ;)
"Coiso" é Natal. Feliz Natal, Jane. :)
R.
R.:
Mas eu disse maldades. Não disse maldades feias.
Mostro sim, e aposto que vais gostar!
Ok, ok, Feliz NataL!!
;)
@Jane:
Aposto que sim. Cá espero. ;)
R.
R.:
Oh, se apostas o mesmo que eu não há aposta.
Eheheheh.
@Jane Doe:
Nisso estás coberta de razão. :)
R.
Lindo presépio, você não podia estar mais certo. Eu que nunca tinha parado pra pensar nisso, hehehe. E você tem razão, quem cria é pai, e portanto, nada mais justo que dizer que José era pai do menino Jesus. =)
Desculpe o sumiço e ser tão descuidada com os blogs dos amigos, mas é que minha vida gelada na sua terra não andava lá tranquila hehehe.
Beijos e feliz 2010!
@Sisa:
Ainda bem que gostou!
E sumiço não é problema, o sumido sou eu muitas das vezes. E o frio não deve ser assim tanto senão a Letónia nem era opção! :)
R.
O que é gatafunho? Pelo contexto presumo que seja desenho. Adorei, o desenho é doce e cheio de significados como deve ser a boa arte. Não que existe má arte. Mas a sua é ótima. Obrigada por ter me colocado no sua lista de blogs aqui do lado direito. Entrei como Bom, mas sou eu, Elisa de Yokohama
beijos,
@Bom, a.k.a. Elisa de Yokohama:
Elisa, que Bom vc ter passado por cá novamente! :)
Sim, "gatafunho" é um rabisco, um garatujo, qualquer coisa mais ou menos mal riscada no papel. Eu gosto da palavra "gatafunho" porque está relacionada com Gato (do Castelo, rsrs...). Logo, gatafunhos é o que eu chamo aos meus desenhos. Não costumo fazer muitos, embora este Natal tenha feito alguns.
Que bom que você gostou do meu presépio. E sim, é mesmo o meu presépio: coloquei-o numa moldura junto à árvore. :)
Vá passando sempre que eu irei passando lá no "Elisa no Blog".
Arigato Gozaimasu,
R.
Pois, pois!
Mas quando é que há outro post? As rabanadas ainda não acabaram?!
Sim... deixemo-los descansar!
Todas as "premiéres", todas as noites de estreia são desgastantes!!
Que tenhas um grande grande 2010 com tudo que desejas!
Toma um abraço.
@TERESA SANTOS:
De facto, as rabanadas ainda não acabaram e já estou a sofrer de overdose. :)
R.
@mfc:
São pois!
Um grande abraço para ti também. :)
R.
Bem feita (por causa da overdose, claro!).
É só para comunicar ao Sr. D. Gatito que tem uma prendinha no meu blog.
É favor ir buscá-la...
Ja e tarde, mas quero que saibas que acabei um post a pensar em ti, Gato vizinho! =)
Ate breve!
PS: E ja agora, gostei muito do Presepio.
@TERESA SANTOS:
Lá irei, lá irei... :)
Eu, por prendas, é como por leite.
R.
@Marina:
A pensar em mim?!? Ena, estou todo vaidoso! :)
R.
É só mimo...
@TERESA SANTOS:
Ora! :)
R.
R. EU n sou de cá, mas fiquei encantada com este presépio... ficou só uma dúvida... não leve a mal... mas... (eu vou levar nas orelhas...) José está a usar uma conquilha? ;)
Beijoca e um fantástico 2010
@verainacio:
Claro que é de cá! Toda a gente que passa pel'O Gato do Castelo é de cá e pode servir-se de chá e bolachas.
Quanto à conquilha, isso para mim é uma concha. Mas, seja lá o que isso seja, não é suposto José estar a usá-la. Pode atirar as culpas para cima do desnhador naïf (eu!).
R.
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